O impacto econômico das novas tecnologias em saúde

Atualizado: 4 de jan.



O entrevistado do 9º programa do nosso canal do YouTube foi Wilson Follador, farmacêutico-bioquímico, PhD, diretor executivo e consultor sênior da Sano-Efiko, professor na Fundação Getúlio Vargas/Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV/EAESP) e palestrante em mais de 300 eventos nacionais e internacionais.


Na conversa com Nilva Bortoleto, Follador falou sobre o impacto econômico das novas tecnologias em saúde, um tema constantemente debatido entre os players do setor, pois junto com as possibilidades de tratamento para diversas doenças e aumento da qualidade de vida do paciente vem também a pergunta: como e quem vai pagar essa conta?


“É um fato que as tecnologias em saúde estão ficando cada vez mais caras, e a razão para isso está na dificuldade cada vez maior de encontrar uma molécula nova, disruptiva e interessante.”


Segundo Follador, tanto no exterior quanto no Brasil, o cenário é o mesmo, porém, em outros países, principalmente nos europeus, existem mecanismos que auxiliam esses custos a serem absorvidos, o que não ocorre no Brasil, devido ao baixo orçamento em saúde (cerca de 9% do Produto Interno Bruto é investido em saúde). E a realidade que se impõe é: o valor disponível para tratar as pessoas não é suficiente para oferecer a melhor tecnologia.


“Temos discutido muito atualmente sobre o tratamento individualizado – o que é fantástico! Mas precisamos ter claro que esse conceito implica em termos menos pacientes utilizando uma determinada tecnologia, o que significa menos consumo e menos retorno de investimento para quem a desenvolveu. O resultado disso é que a empresa terá que praticar preços mais altos para ter retorno financeiro.”



Impacto das novas tecnologias para o paciente, médico e hospitais


Segundo Follador, os pacientes têm uma dependência elevada do sistema de saúde, seja público ou privado, e um fato que precisa ser considerado é que o país gasta com terapias inovadoras, mas na sua maioria elas não são 100% eficazes.


Em relação aos impactos aos médicos, ele ressaltou que, pela própria formação, o profissional de saúde está sempre em busca de oferecer o melhor ao seu paciente. “Nenhum médico quer negar uma tecnologia que pode ser benéfica por questões econômicas. Mas, por outro lado, ele sabe que nem todo paciente terá acesso a esse novo medicamento, seja via Sistema Único de Saúde (SUS) seja via saúde privada.”


Follador comentou sobre o impacto aos hospitais e citou a realidade vivida no Brasil e no mundo. “Em diversos países, as unidades hospitalares também sentem os impactos econômicos das novas tecnologias, mas a relação entre elas e os pagadores são menos complexas do que no Brasil. Nos países europeus, essas instituições recebem uma boa remuneração para prestar um bom atendimento. No Brasil, a remuneração por exames, honorários, entre outros, é muito baixa, o que torna menos atrativa a promessa de reduzir custos de internação, por exemplo, que está atrelada a muitas dessas novas tecnologias.”




Impactos aos pagadores e à sociedade


O especialista falou sobre os impactos ao pagador, seja ele do sistema público ou privado. “O pagador nada mais é do que um gestor. Em teoria, ele deveria ser a pessoa que avalia a tecnologia e se pergunta se o que está pagando por ela é o melhor benefício possível para determinada população. Mas há muita tecnologia a ser avaliada. A demanda é muito grande e cabe ainda a esse profissional equilibrar as contas. Se formos falar sobre o setor privado, ele ainda tem a responsabilidade de gerar lucro.”


Follador comentou sobre os impactos econômicos na sociedade como um todo, ressaltando que vê a necessidade de termos um contrato social novo no qual esteja claro até onde é possível ir quando são discutidos custos em saúde. “Temos que mostrar para a sociedade até quanto podemos gastar para que todos possamos viver mais. No futuro, todos nós teremos que pensar se podemos realmente pagar mais para termos os benefícios de uma nova tecnologia ou se vamos ficar satisfeitos com as que temos.”


Ao ser questionado sobre se os investimentos em prevenção poderiam ajudar a reduzir os custos em saúde, ele lembrou que a prevenção reduz os riscos de desenvolvimento de uma patologia, mas que ela continuará existindo. “Uma das facetas do problema da economia em saúde é que não sabemos lidar com a doença, com a finitude. Se temos uma tecnologia que nos dê 1% de chance de ficarmos vivos por mais um ano, vamos nos agarrar a ela, não importa o quanto isso custe. Aí é que a sociedade, em conjunto, tem que achar uma solução. Na minha avaliação, não adianta investirmos em um medicamento que custa milhões, mas que me dê, como contrapartida, pouca coisa em termos de sobrevida.”



Assista à entrevista na íntegra.






77 visualizações0 comentário