• Nilva Bortoleto

Inovação incremental: 5 sugestões que podem contribuir para o seu sucesso



A inovação é palavra de ordem na indústria farmacêutica. Presente em quase todos os planos estratégicos, ela pode ser tecnológica, disruptiva ou incremental e diferencia-se em relação aos riscos envolvidos, valores de investimentos, e é claro: retorno financeiro.


O nosso tema é a Inovação Incremental, também conhecida como inovação marginal ou inovação de sustentação, que consiste na adição de incrementos a um determinado produto ou processo, trazendo melhorias.


Para a indústria farmacêutica é uma forma de inovar, aumentar seu retorno financeiro, com investimentos e riscos inferiores à Inovação radical ou disruptiva.


Novas associações, formas de liberação diferenciadas, novas formas farmacêuticas são bons exemplos de inovação incremental aqui no Brasil.


Inovações Incrementais, onde nascem?

As fontes são muitas, mas independentemente de sua origem e de sua genialidade inicial ela deve ser analisada e validada por uma equipe multiprofissional capacitada, que em geral está alocada nos times de novos negócios.


Inovações incrementais serão sempre um sucesso?

Infelizmente não, temos no mercado algumas muito bem sucedidas e outras que trouxeram apenas desapontamento e perdas financeiras.


Por isso, baseado em nossa experiência, vamos compartilhar aqui algumas sugestões que podem aumentar as chances de sucesso na escolha dos projetos de Inovação incremental:


1 – Valide todas ideias de inovação, mesmo as do presidente da empresa - muitos presidentes, vice-presidentes e diretores são visionários e tem excelentes ideias, mas o time de novos negócios deve fazer o seu trabalho para analisar e validar o projeto com neutralidade emitindo recomendações técnicas, mercadológicas e financeiras.


2 – Olhe para dentro antes de olhar para fora – quando a empresa opta pelo caminho da inovação incremental sugere-se primeiro olhar para o seu portfolio atual. Produtos de sucesso podem ser um bom início para novas associações, novas formas de liberação e novas formas farmacêuticas e, com isso, revigorar o sucesso já existente. Produtos de excelente eficácia e segurança, mas que não decolam por limitação posológica ou forma farmacêutica inapropriada também podem ser candidatos; neste caso desenvolvimentos farmacotécnicos podem reviver produtos que estejam adormecidos.


3 – Olhe para fora, encontre oportunidades - talvez todas as possiblidades internas já tenham sido esgotadas, e as novas oportunidades estejam fora da empresa. Este é o momento de buscar possibilidades de melhoria nos produtos existentes no mercado. Mas quais produtos? O esperado é que empresa siga em um mercado alinhado com suas vocações; uma análise preliminar dos números de mercado ajuda muito no início do processo, mas é de suma importância envolver a área médica para entender as reais necessidades médicas atuais não atendidas. Entrevistas com especialistas e advisory boards são muito bem vindos nesta fase, pois para avançar é preciso ter certeza que o mercado realmente necessita desta inovação e que ela terá uma boa aceitação.


4 – Defina o seu concorrente – por definição os concorrentes são aqueles que atuam no mercado onde a inovação incremental será lançada. Existem muitas técnicas de marketing para definir e se diferenciar da concorrência, mas outro aspecto muito importante deve ser considerado; para registrar o novo produto provavelmente será necessário um estudo clínico que justifique a inovação incremental, e este estudo será feito em uma indicação terapêutica versus um comparador. A escolha equivocada deste comparador e/ou da indicação poderá comprometer o preço que será aprovado para o novo produto, bem como, dificultar o uso do estudo clínico nos materiais promocionais. Isso nos leva a última sugestão...


5 – Maximize o estudo clínico realizado para aprovação – antes de partir para realização do estudo é importante a empresa se certificar da real necessidade, pois algumas vezes é possível justificar a inovação com dados da literatura ou realizando um estudo de biodisponibilidade relativa. Indo pelo caminho do estudo clínico o time de novos produtos e área médica devem buscar a realização do estudo na melhor indicação do produto (definida como o melhor mercado) e com comparadores que tenham um preço atrativo, lembre-se que pelas regras atuais este pode ser o preço final do produto aprovado pela CMED. Sempre que possível envolva key opinion leaders e instituições de renome no estudo clínico pois dessa maneira você já começa trabalhar a imagem e criar futuros advogados do seu novo produto.


Temos ainda que considerar que a legislação brasileira tem espaço para se modernizar e favorecer os programas de inovação incremental da indústria farmacêutica. Um sistema de proteção de propriedade intelectual focado neste segmento e uma política de preços de medicamentos mais moderna certamente incentivarão ainda mais estes projetos.

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